O sol começa a aparecer no horizonte. Nós estamos sentados na areia com a água a aproximar-se cada vez mais. Olho para os teus olhos castanhos que já me fitam à algum tempo. O teu olhar transmite-me carinho. Os teus lábios começam a formar as palavras que eu anseio ouvir. Tocas-me na mão com ternura, mas o toque não é como eu sempre imaginei... Nem poderia ser! Não foi a ti que eu imaginei que estaria ao meu lado na praia. Não era dos teus lábios que eu queria ouvir aquelas palavras. Não era nos teus olhos que eu imaginava aquelas emoções!
O momento e a cena eram dignos de um filme romântico, mas uma das personagens não era a correcta. Não devias ser tu a minha companhia ao amanhecer...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
Lay all your love on me
Olho para o céu... O sol está a desaparecer por trás da falésia que se ergue à minha frente. Contínuo a andar. Não me apetece ir para casa. O meu espírito não está calmo para me permitir fazer isso. Decido escrever o nome de quem virou o meu mundo de pantanas. Olho para ele durante um tempo indefinido... Tiro o vestido e corro para o mar. Quando saio da água já é de noite... As estrelas brilham no céu ao lado da sua amiga lua. Pego nos chinelos e no vestido e vou-me embora sem olhar uma segunda vez para o nome meio apagado.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Honey, Honey
Está decidida a seguir em frente. Dá o passo decisivo. Agora que está no início da passerelle e todos os olhos recaem sobre si, não pode recuar. Respira fundo e tenta aplicar tudo o que lhe foi ensinado. "Tens que mostrar confiança a andar" pensa.
A meio repara nuns olhos que reconheceu de imediato. Conhece aquele tom de castanho. Era a última pessoa que imaginava encontrar a assistir a um desfile de moda. Sempre pensou que ele abominasse pessoas a manearem-se em roupas que muito provavelmente ninguém irá vestir no seu quotidiano. Segue o desfile com o seu sorriso mais bonito.
A meio repara nuns olhos que reconheceu de imediato. Conhece aquele tom de castanho. Era a última pessoa que imaginava encontrar a assistir a um desfile de moda. Sempre pensou que ele abominasse pessoas a manearem-se em roupas que muito provavelmente ninguém irá vestir no seu quotidiano. Segue o desfile com o seu sorriso mais bonito.
No final da noite, nos bastidores, enquanto retira a maquilhagem, tenta convencer-se que o imaginou ali.
Quando se despede do representante da sua agência, vê o reflexo dele no espelho. Vira-se e fica cara-a-cara com ele. Não consegue descortinar a sua expressão.

terça-feira, 6 de julho de 2010
O imprevisível no previsto
Neste momento devia estar a chorar, a espernear e a arremessar objectos importantes para mim. Não faço nada disso. Limito-me a estar deitada na cama, a pensar que não tenho muita sorte ao amor e a resignar-me por tudo o que tem acontecido. Sei que não gostas de mim, mas não consegui derramar uma lágrima nem soltei um suspiro mais profundo. Acho que contava com este desfecho desde o início, ou simplesmente esgotei, nos últimos dois anos, todas as lágrimas que me foram concedidas. Sei que ignorar um problema não o resolve, mas eu também só o quero esquecer. Há coisas que não têm solução.
Uma sombra na noite
As estrelas brilham no céu negro de mãos dadas com a lua que hoje se sente bonita por estar grande e brilhante. Por baixo dela encontra-se um vulto agarrado às pernas e com queixo apoiado nos joelhos. Olha para o infinito, mas não vê nada... O seu pensamentos está a vaguear por outras estradas solitárias. A que tem à frente não lhe chega... Precisa de mais, de muito mais! O seu sorriso e o seu olhar vazio não enganam. Está a pensar nele. A pensar que o deseja, mas que nunca o puderá ter. A pensar o quanto gosta dele e o quanto ele a ignora. Pensa que gostava de fazer alguma coisa em relação a isso, mas depois lembra-se que as pessoas só gostam de quem têm que gostar e nada faz mudar isso.
Portanto, as pessoas que passam naquea rua continuarão a ver a rapariga sentada nas escadas, com o seu ar vazio, a pensar nele.
Portanto, as pessoas que passam naquea rua continuarão a ver a rapariga sentada nas escadas, com o seu ar vazio, a pensar nele.
sábado, 3 de julho de 2010
Passado
Dizem que se pode deixar o passado para trás, mas não é bem assim. Eu quero deixar o passado para trás, mas não posso. O meu passado marcou-me demais, deixou fissuras em demasia no meu corpo e no meu coração. Sei que ultrapassei uma parte do problema... Já não tenho medo dele. Mas tenho consciência que só o ultrapassarei completamente quando conseguir falar com alguém sobre o que aconteceu. Ninguém sabe o que verdadeiramente me afectou e me fez seguir em frente sem olhar uma última vez para ele. Ninguém sabe porque me repugna vê-lo ou falar dele. E provavelmente ninguém saberá até eu conseguir pensar no passado e interiorizar que este aconteceu mesmo.
Tenho que arranjar coragem para falar do meu passado para me libertar definitivamente dele...

Today
Hoje é um daqueles dias em que eu gostava de analisar a minha vida como uma estranha, de um modo racional, sem me envolver emocionalmente e sem acordar sentimentos que estão adormecidos temporariamente. Gostava de ser imparcial e chamar-me à atenção por todos os erros que cometi e aplaudir-me por todas as atitudes e escolhas certas que tomei. Sei que isso é impossível, portanto tenho que me contentar que os meus sonhos e receios interfiram nas minhas conclusões e a margem de erro seja muito elevada...
Tenho que me contentar com o meu estado de confusão e de angústia provocado pelo facto de não conseguir analisar de modo eficaz diversos momentos.
Tenho que me contentar com o meu estado de confusão e de angústia provocado pelo facto de não conseguir analisar de modo eficaz diversos momentos.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Quem espera desespera
Sinto o peito apertar-se. Parece que o meu coração não tem espaço... A angústia aumenta a cada segundo que passa no relógio. Fecho os olhos e peço a alguma entidade superior que torne o meu pedido realidade. Sinto o ar que chega aos pulmões diminuir cada vez mais... Quanto mais se aproxima o dia que vai ditar o meu futuro, mais aflita fico. Parece que me estou a afundar e o oxigénio que tenho é cada vez menos, só me resta esperar que chegue alguém para me salvar, pois as foças escasseiam...
A vida nem sempre corre como se deseja ou imagina. Só lamento que haja alturas em que não se possa fazer nada para mudar isso...

